Polícia do Rio identifica quadrilha que transformava sírios em brasileiros

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14/12/2015

Nesta segunda-feira (14), duas pessoas foram presas e outras duas respondem em liberdade por falsidade ideológica e associação criminosa. Uma quadrilha transformou dezenas de imigrantes sírios em cidadãos brasileiros – com certidão de nascimento, identidade, título de eleitor e passaporte. Após oito meses de investigação, a polícia identificou 72 sírios envolvidos na fraude. Durante as investigações, os policiais chegaram a um endereço na Zona Norte do Rio, onde vivia  um homem . Ele é sírio e tem visto permanente para morar no Brasil. Aos 71 anos, ele não chamava atenção, mas os investigadores descobriram que ele  é personagem importante em um golpe audacioso: fazer outros sírios se tornarem brasileiros de papel passado e com documentos acima de qualquer suspeita. A investigação mostrou que a fraude acontecia nos livros de registros de nascimento, nas certidões de nascimento. Uma perícia revelou que foi um trabalho grosseiro. Os livros têm folhas soltas, rasuradas, adulteradas e até coladas. Mesmo folhas que já tinham sido canceladas no passado foram usadas para criar uma certidão com as informações dos sírios. Os documentos registram que eles nasceram no Rio de Janeiro entre as décadas de 1960 e 1970. Mas os investigadores afirmam que as fraudes aconteceram entre 2012 e 2014. Eles dizem que  o funcionário do cartório, arrancava as folhas dos livros e levava para outro homem que é um ex-funcionário, que segundo a polícia foi demitido do cartório depois de outra investigação de fraude. Ele fazia o registro dos sírios como brasileiros em casa. Depois o ex-funcionário recolocava as folhas no lugar. “Eles arrancavam as folhas dos livros cartorários, são mais de 4 mil livros cartorários, arrancavam aquelas folhas originais, e o funcionário enxertava a nova folha numa certidão de nascimento naquele livro cartorário. Ou seja, deixava de existir um brasileiro nato, ou naturalizado, pra dar origem a um sírio supostamente brasileiro”, disse o delegado da Delegacia de Defraudações. As suspeitas só começaram a aparecer quando um funcionário do Detran desconfiou das certidões de nascimento que tinham informações muito parecidas. Ele avisou à delegacia que investiga fraudes e os policiais descobriram que os sírios não queriam se passar por brasileiros apenas no Brasil. Pelo menos 20 deles tiraram o passaporte brasileiro. O que ninguém sabe até agora é onde esses sírios estão hoje. Os investigadores descobriram nas redes sociais que muitos viajam pelo mundo todo: Paris, Nova Iorque e Londres são alguns desses lugares. O Ministério das Relações Exteriores declarou que não fala sobre questões ligadas a estrangeiros no Brasil. O Ministério da Justiça vai pedir informações a autoridades do Rio. O Detran do Rio informou que, por lei, só pode exigir certidão de nascimento ou de casamento pra emitir a carteira de identidade. A Receita Federal declarou que está implantando um processo integrado pra evitar informações fraudulentas na inscrição do CPF. A Corregedoria Geral da Justiça fez uma intervenção no cartório em 2010 por suspeita de irregularidades – e afirma que as fraudes são anteriores a esse período. Mas a polícia diz que foram depois. O serviço de registro de nascimentos no cartório foi extinto. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio declarou que, pra obter o título, o eleitor precisa declarar que as informações são verdadeiras, sob pena de crime eleitoral. A Polícia Federal afirmou que tem um inquérito sobre o caso, mas que não pode comentar porque está em segredo de justiça.

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Fonte: G1

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