Polícia do Rio faz operação de combate à emissão de diplomas escolares falsos

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24/09/2018

Na manhã desta segunda-feira (24), a Delegacia de Defraudações da Polícia Civil do Rio de Janeiro realiza uma operação de combate à emissão de diplomas escolares falsos, distribuídos para pessoas que não concluíram os estudos. Os supostos formandos chegaram a ter os nomes publicados no Diário Oficial. A ação, chamada de Operação Nota Zero, conta com mais de 110 policiais civis cumprindo 35 mandados de busca e apreensão em escolas e residências de donos, diretores e funcionários de colégios no Centro e nas zonas Sul, Norte e Oeste do Rio, além dos municípios de Duque de Caxias, Belford Roxo e Nilópolis, na Baixada Fluminense. Segundo os policiais, o grupo movimentou cerca de R$ 700 milhões nos últimos cinco anos com a emissão de 350 mil diplomas.

Entre os alvos estão um oficial reformado da Polícia Militar, que consta como sócio e diretor de um dos colégios investigados e já tem oito anotações criminais, inclusive por associação criminosa e falsidade ideológica; um ex-conselheiro do Conselho Estadual de Educação que, além de dono de uma das escolas, participava das votações que autorizam ou não o funcionamento de unidades de ensino no Estado do Rio. Este, inclusive, ainda ocupava o cargo de conselheiro quando seu colégio, mesmo em meio a denúncias de fraude na emissão de documentos, teve o credenciamento renovado. Também são alvos funcionários das escolas, que assinaram e atestaram serem legítimos os documentos fraudados.

Ao todo, estão sendo investigadas 11 escolas particulares, que participam de um grande esquema de fornecimento de históricos escolares e certificados fraudulentos de conclusão do Ensino Médio em cursos à distância, principalmente no sistema de educação de jovens e adultos. Uma delas deu 20% a mais de diplomas do que toda a rede de ensino a distância do Rio de Janeiro.

Ingresso em universidades e concursos públicos

Os documentos falsos são usados em tentativas de ingressos nas universidades, concursos públicos e empregos em várias partes do país. A denúncia, que desencadeou a operação, partiu da Diretoria de Inspeção Escolar, Certificação e Acervo da Secretaria Estadual de Educação. Segundo a polícia, os indícios apontam que algumas dessas unidades escolares sequer funcionam de fato; são escolas de fachada, montadas com o único objetivo de obter vantagem financeira. Muitas não possuem professores nem salas de aula. Uma delas tem capacidade para 100 alunos, mas possui mais de cinco mil matriculados.

R$ 140 milhões em prejuízos

A delegada titular da Delegacia de Defraudações afirmou que tudo indica que a maioria dos alunos que procuraram essas unidades de ensino e pagaram por matrícula, mensalidade, publicação do nome em Diário Oficial e emissão de diploma não sabia que se tratava de escolas com práticas ilegais, cujos diplomas não teriam validade. Há casos ainda dos que pagaram, mas nunca receberam os documentos. São calculados R$ 140 milhões em prejuízos com a emissão de diplomas falsos, sem contar o prejuízo no currículo de milhares de pessoas.

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