Polícia afirma que golpe de pirâmides financeiras atingiu 103 investidores no Recife

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04/01/2018

O golpe das pirâmides financeiras investigado pela Operação Necrópole de Gizé, deflagrada nesta quinta-feira (4), no Recife, prejudicou 103 pessoas. De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, eram investidores de classe média alta, que aplicaram entre R$ 10 mil e R$ 50 mil. O responsável pela administração do negócio, A.F.A.J., de 41 anos, foi preso na ação policial. Segundo o chefe da Polícia Civil, o sujeito criou uma empresa apenas para controlar as pirâmides. Em um empresarial localizado em um prédio de Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, alugou um andar interior para instalar uma casa de câmbio, o Bank Invest. Ele prometia rentabilidade anual de 188%, em 12 meses. Quem aplicava R$ 50 mil, após um ano sem fazer retirada, lucrava R$ 144 mil. “Quem levasse outras pessoas poderia ganhar ainda mais. Por isso, se configura a pirâmide financeira”, observa o chefe de polícia. Esta instituição atuou normalmente até setembro do ano passado. Naquele mês, o acusado encerrou os serviços do banco de investimentos e entregou todas as salas. “Foi quando começamos a receber as primeiras denúncias. Teve gente que perdeu até R$ 300 mil”, afirmou. Por determinação judicial, a partir das investigações que culminaram com a etapa da operação desta quinta, foram bloqueadas contas bancárias do responsável pela pirâmide. Elas totalizavam R$ 1 milhão. “Acredito que esse valor não será suficiente para ressarcir as perdas dos investidores”, disse o chefe da polícia.

Mecanismo

Os integrantes da pirâmide financeira investiam dinheiro em espécie. Podia ser em real ou em moeda estrangeira. As pessoas recebiam a proposta de alta rentabilidade para não retirar nenhum montante em um prazo de um ano. “Esse tipo de transação faz parte de um mercado chamado Forex. No mundo inteiro são negociados US$ 5 trilhões por dia. No Brasil, esse serviço não é regulamentado pelo Banco central. Mesmo assim, as pessoas investiam para evitar a variação cambial do mercado comercial convencional”. Além de garantir alta rentabilidade, o responsável pela pirâmide financeira informava aos investidores do Recife que tinha uma empresa no Reino Unido. “Com a informação de que tinha operadores na Inglaterra, ele tentava reforçar a credibilidade para quem procurava a empresa”, comentou.

A ação

A prisão do homem e o cumprimento de quatro mandados de prisão, nesta quinta, fazem parte da segunda etapa da Necrópole de Gizé. Sete mandados de busca e apreensão foram cumpridos em novembro do ano passado por policiais da Delegacia do Cordeiro, na Zona Oeste da capital pernambucana. Todos foram expedidos pelo Juiz da 9ª Vara Criminal da cidade. De acordo com a polícia, o grupo do suspeito é investigado por estelionato, associação criminosa, crimes contra economia popular e o consumidor, além de lavagem de dinheiro. Primeira operação de repressão qualificada de 2018, a Necrópole de Gizé teve como área de atuação o Recife.

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