Golpe do falso emprego: estelionatária pode ter feito cem vítimas no DF

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05/06/2018

A acusada se aproximava de grupos de jovens religiosos oferecendo vagas inexistentes para menores aprendizes em colégios da capital e do exterior. Em três anos, ela fez ao menos cem vítimas e lucrou mais de R$ 100 mil. A estelionatária de 22 anos chegou a namorar e a conviver com a família de vítimas. Ela também fingiu a morte de parentes e já forjou o próprio sequestro. A suspeita nega as acusações. A mulher foi presa na porta de casa em Samambaia na noite de segunda-feira (04). Se passando por diretora de recursos humanos da rede de colégios católicos, ela oferecia vagas para professor, psicólogo e cargos administrativos. Ela tinha conhecimento de todo o processo porque trabalhou como menor aprendiz no setor por três anos, e ainda tinha uniforme e crachá. A relação com a rede de escolas onde trabalhava, porém, começou ainda na infância, quando era coroinha. A promessa salarial chegava a R$ 15 mil e o candidato podia escolher se queria trabalhar em Brasília ou em Roma, na Itália. No DF, ela oferecia serviço para o Centro Educacional Maria Auxiliadora (CEMA), Colégio Dom Bosco e Escola Salesiana São Domingos Sávio. O golpe já começava no início do processo seletivo, quando o candidato tinha que pagar uma taxa de R$ 2 a R$ 10 mil, dependendo do cargo e local almejado. A estelionatária dizia que o valor servia para dar entrada em documentos. Depois do pagamento, a mulher desaparecia. Em sete meses de investigação, a polícia constatou que a suspeita trocava e-mails com as vítimas, se passando por padres que exercem a função de diretoria no Brasil e em Roma. Ela também fingia ser proprietária da rede escolar. Há mais de 50 ocorrências registradas com o nome dela, mas a polícia desconfia que há ao menos o dobro de vítimas.

Vítimas relatam golpes

“Ela se envolveu com o grupo da igreja, foi se aproximando aos poucos, deu presentes. Tudo o que você precisava ela tinha, conseguia”, conta uma vítima, de 20 anos. Aos colegas, ela disse que a avó trabalhava na rede de ensino e conseguiria vagas de emprego. “Começamos a receber e-mails. O salário era muito bom, tinha nomes de padres que a gente conhecia. Chegamos a enviar os documentos, mas nunca tinha vaga. Quando descobrimos a série de mentiras, desconfiamos”, diz. Mais de dez pessoas estiveram na delegacia nesta terça-feira (05) para contar os golpes praticados pela mulher. Um jovem de 23 anos foi triplamente vítima. Ele participou do processo seletivo, teve um relacionamento amoroso por um mês e emprestou dinheiro para Agenayra. “Ela entrou no nosso meio, prometeu emprego bem remunerado. No meio do processo seletivo, ela disse que a avó havia falecido e pediu dinheiro emprestado. Fiquei comovido e depositei R$ 3 mil, mas ela sempre adiou a devolução com desculpas”, conta. O falecimento também foi forjado. O rapaz fez entrevista de emprego em uma padaria. “Quando desconfiamos, chegamos a ir na instituição falar com um dos padres e eles disseram que ela não trabalhava lá”, relata.

Desemprego

A mulher se valia do desemprego amargado por 315 mil pessoas na capital. O dado foi divulgado pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) na semana passada. Em abril, o índice aumentou de 18,9% para 19,2% em um mês. O DF fechou o ano de 2017 com a pior índice de desemprego em cinco anos. A falta de emprego atingiu 13,1% da população no ano passado, o equivalente a 394 mil pessoas. Os números da capital ficaram acima da média registrada no país naquele ano (12,7%). A taxa também cresceu 9% em relação ao ano anterior, quando 12% da população local sofreu com o desemprego.

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Fonte: Jornal de Brasília

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