Alunos que receberam diploma falso gastaram mais de R$ 10 mil em 3 anos de ‘faculdade fake’

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02/10/2018

Diplomas falsos apreendidos pela polícia do DF durante a Operação Sofista

Segundo a Polícia Civil, os alunos que receberam diploma falso do instituto Axioma, no Distrito Federal, fizeram de três a quatro anos de aulas regulares e presenciais aos sábados. Durante esse período, eles pagaram de R$ 300 a R$ 400 por mensalidade – o prejuízo total de cada um passa dos R$ 10 mil. Até a publicação desta reportagem, pelo menos quatro pessoas haviam sido identificadas como vítimas – todas de baixa renda, de acordo com a polícia. Elas concluíram um curso falso de educação física. Três homens apontados como donos da empresa são investigados por falsificação de documentos, estelionato e associação criminosa. Os empresários foram alvos de mandados de busca e apreensão na manhã desta terça-feira (02) em Taguatinga e Samambaia. Eles não foram detidos e vão responder em liberdade, pois a Justiça negou os pedidos de prisão preventiva. As unidades do instituto, que ficam em Brazlândia e Taguatinga, no Distrito Federal, e em Águas Lindas e Valparaíso, em Goiás, também foram alvos dos mandados da Operação Sofista. Nos locais, a polícia apreendeu R$ 12 mil em espécie, cheques e diplomas sem assinatura. A quantidade de documentos não havia sido estimada até as 11h.

Em apuração desde 2017

As investigações começaram no ano passado, quando o Conselho Regional de Educação Física (Cref-DF) encaminhou um diploma “aparentemente falso” à Polícia Civil. A suspeita era de que o aluno tivesse forjado o documento. “Isso é relativamente comum, mas, em casos anteriores, os alunos não tinham frequentado a faculdade e comprado os diplomas. Neste caso, os alunos são vítimas”, explicou um delegado, que é coordenador da Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor e a Fraudes (Corf). Segundo ele, o aluno chegou a questionar o instituto irregular. Depois, recebeu uma nova emissão do diploma – mas este também foi barrado pelo conselho. As investigações apontaram que o instituto irregular usava o nome de pelo menos duas faculdades credenciadas pelo Ministério da Educação para forjar os diplomas. No documento, elas apareciam como “instituições parceiras” e, segundo o delegado que coordena o caso, também foram vítimas. O delegado recomenda a quem estiver pesquisando um curso acadêmico ou profissionalizante que se certifique do credenciamento da instituição junto ao MEC. “E desconfiar de preços muito abaixo do que é praticado pelo mercado”, disse. A suspeita é de que outros cursos ofertados pelo Axioma também não tenham validade. O instituto oferecia pedagogia, matemática, alfabetização em Libras, docência do ensino superior, recursos humanos e curso técnico de segurança no trabalho.

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